Márcia Gardênia Serra Mota - Educação empreendedora na escola pública: caminhos para o desenvolvimento de competências do século xxi

EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NA ESCOLA PÚBLICA: CAMINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS DO SÉCULO XXI

ENTREPRENEURIAL EDUCATION IN PUBLIC SCHOOLS: PATHWAYS TO THE DEVELOPMENT OF 21ST CENTURY COMPETENCIES

Márcia Gardênia Serra Mota [1]

RESUMO

O presente artigo aborda a educação empreendedora na escola pública, destacando-a como um caminho estratégico para o desenvolvimento de competências essenciais do século XXI, como criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas, colaboração e autonomia. A justificativa da pesquisa baseia-se na necessidade de alinhar a educação básica às demandas de uma sociedade em constante transformação, marcada pela globalização, pelo avanço tecnológico e pela economia do conhecimento. O problema de pesquisa norteador questiona de que forma a educação empreendedora pode ser integrada de maneira efetiva ao contexto escolar público, contribuindo para a formação integral dos estudantes. Como objetivo geral, busca-se analisar práticas e estratégias que favoreçam a inserção do empreendedorismo no currículo escolar, identificando seus impactos no desenvolvimento de competências socioemocionais e cognitivas. A relevância do estudo reside em oferecer subsídios teóricos e práticos para políticas públicas e práticas pedagógicas inovadoras. A metodologia adotada é qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, fundamentada em revisão bibliográfica e documental, analisando diretrizes nacionais e experiências pedagógicas exitosas. Os resultados indicam que, quando incorporada de forma interdisciplinar e contextualizada, a educação empreendedora potencializa a motivação, o protagonismo e a capacidade de tomada de decisão dos alunos, ampliando sua preparação para os desafios acadêmicos e profissionais. Conclui-se que a implementação estruturada de práticas empreendedoras na escola pública, apoiada por formação docente e recursos pedagógicos adequados, pode contribuir significativamente para a formação de cidadãos críticos, criativos e capazes de atuar de forma inovadora na sociedade contemporânea.

Palavras-chaves: Empreendedorismo. Educação. Inovação. Criatividade. Competência

ABSTRACT

This article addresses entrepreneurial education in public schools, highlighting it as a strategic pathway for the development of essential 21st-century skills, such as creativity, critical thinking, problem-solving, collaboration, and autonomy. The rationale for the research lies in the need to align basic education with the demands of a constantly changing society, marked by globalization, technological advancement, and the knowledge economy. The guiding research question asks how entrepreneurial education can be effectively integrated into the public school context, contributing to the holistic development of students. The general objective is to analyze practices and strategies that foster the inclusion of entrepreneurship in the school curriculum, identifying its impacts on the development of socio-emotional and cognitive skills. The relevance of the study is in providing theoretical and practical support for public policies and innovative pedagogical practices. The methodology is qualitative, descriptive, and exploratory, based on bibliographic and documentary review, analyzing national guidelines and successful pedagogical experiences. The results indicate that, when incorporated in an interdisciplinary and contextualized manner, entrepreneurial education enhances students’ motivation, autonomy, and decision-making abilities, expanding their preparation for academic and professional challenges. It is concluded that the structured implementation of entrepreneurial practices in public schools, supported by teacher training and adequate pedagogical resources, can significantly contribute to the formation of critical, creative citizens capable of acting innovatively in contemporary society.

Keywords: Entrepreneurship. Education. Innovation. Creativity. Competence.

1 INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea encontra-se em um processo acelerado de transformação, impulsionado pela globalização, pela inovação tecnológica e pela consolidação da economia do conhecimento. Nesse cenário, a escola pública desempenha um papel central na preparação dos estudantes para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais dinâmico e competitivo. Entre as abordagens que se destacam nesse contexto, a educação empreendedora vem ganhando relevância como estratégia para o desenvolvimento de competências essenciais do século XXI.

A educação empreendedora, nesse sentido, não se restringe ao ensino voltado para a criação de negócios ou iniciativas econômicas. Trata-se de uma proposta educacional que busca fomentar nos alunos habilidades e atitudes como criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas, colaboração e autonomia. Essas competências, quando trabalhadas desde os anos escolares, contribuem para a formação integral e para o fortalecimento do protagonismo estudantil.

A escolha desse tema se justifica pela necessidade urgente de alinhar a educação básica às demandas atuais do mercado de trabalho e da vida em sociedade, que exigem sujeitos capazes de inovar, adaptar-se e atuar de forma estratégica diante de desafios complexos. Ao investir na educação empreendedora, a escola pública cumpre seu papel social de preparar cidadãos críticos e conscientes, aptos a construir soluções criativas para problemas reais.

O problema de pesquisa que orienta este estudo busca responder à seguinte questão: de que forma a educação empreendedora pode ser integrada, de maneira efetiva, ao contexto escolar público, contribuindo para o desenvolvimento pleno dos estudantes? Tal indagação parte da premissa de que a simples inserção de conteúdos relacionados ao empreendedorismo não é suficiente; é necessário que haja uma abordagem pedagógica planejada, interdisciplinar e contextualizada.

O objetivo geral deste trabalho consiste em analisar práticas e estratégias que favoreçam a implementação da educação empreendedora no currículo escolar público, investigando seus impactos na formação de competências socioemocionais e cognitivas. Além disso, busca-se identificar fatores que potencializam ou dificultam a aplicação dessa proposta pedagógica no ambiente escolar.

A relevância deste estudo vai além do campo teórico, pois pretende oferecer contribuições práticas tanto para gestores escolares quanto para formuladores de políticas públicas. Ao propor caminhos para a integração da educação empreendedora, este artigo pretende apoiar a construção de um modelo de ensino mais alinhado às exigências contemporâneas e mais sensível às particularidades dos estudantes da rede pública.

A metodologia adotada foi de natureza qualitativa, com caráter descritivo e exploratório, fundamentada em revisão bibliográfica e documental. Essa abordagem possibilitou a análise das diretrizes educacionais nacionais, bem como a investigação de experiências exitosas de implementação de práticas empreendedoras em escolas públicas.

A análise dos dados e referências revelou que a educação empreendedora, quando incorporada de forma interdisciplinar e adaptada à realidade escolar, apresenta resultados significativos no aumento da motivação dos estudantes, no desenvolvimento do protagonismo e na ampliação da capacidade de tomada de decisão. Esses efeitos refletem diretamente no engajamento e no desempenho acadêmico.

Outro resultado relevante identificado foi a melhoria na interação entre os alunos e na capacidade de trabalho colaborativo, reforçando competências fundamentais para o convívio social e para a atuação profissional futura. Além disso, a prática empreendedora contribuiu para estimular a autoconfiança e o senso de responsabilidade dos estudantes.

Conclui-se, assim, que a implementação estruturada da educação empreendedora na escola pública, apoiada por formação continuada de professores e por recursos pedagógicos adequados, representa uma oportunidade estratégica para a construção de um ensino mais inovador e alinhado às demandas do século XXI. Tal proposta fortalece a missão da escola pública como espaço de transformação social e de promoção da cidadania.

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Fundamentos e Perspectivas da Educação Empreendedora na Escola Pública

A educação empreendedora tem ganhado destaque como abordagem pedagógica apta a promover competências do século XXI, pressionada pelas transformações sociais e tecnológicas contemporâneas (Willerding & Lapolli, 2020, p. 182). Esse tipo de educação busca ir além da mera instrução, fomentando nos alunos uma postura ativa, autônoma e criativa.

Segundo Dolabela (2003), "a Educação Empreendedora deve começar na mais tenra idade, porque diz respeito à cultura, que tem o poder de induzir ou de inibir a capacidade empreendedora" (p. 15). Essa afirmação ressalta o caráter formativo e cultural dessa proposta, baseada em valores duradouros e comportamentos estruturantes.

Além disso, a pedagogia empreendedora, conforme Stockmanns (2014), é pautada no incentivo à inovação, à autonomia e ao protagonismo: trata-se de uma vertente educacional que fortalece “a capacidade individual e coletiva de gerar valor para a comunidade” (p. – citação adaptada). Essa abordagem visa despertar o autoconhecimento e a leitura crítica do mundo.

Filion (1999) destaca que, diferentemente dos modelos tradicionais, a educação empreendedora prioriza “uma abordagem mais prática e experiencial, centrada na ação do estudante” (p. – citação adaptada). Esse viés metodológico favorece o envolvimento ativo dos alunos e uma aprendizagem significativa.

Estudos bibliométricos reforçam essa perspectiva. O levantamento de Johan, Krüger e Minello (2018) mostra que a educação empreendedora não apenas favorece o desenvolvimento de habilidades comportamentais, mas estimula o pensamento criativo, a autoestima e a capacidade de inovação (p. 128).

Ainda segundo esses autores, “a educação empreendedora vai além do desenvolvimento de conhecimentos… impactando no desenvolvimento do pensamento criativo, crescimento de autoestima, responsabilidade e geração de inovações” (Johan et al., 2018, p. 128). O protagonismo do aluno se torna central, consolidando competências globais.

Outro aspecto relevante refere-se ao papel do professor. Mendes (2011, p. 65) contrapõe a pedagogia centrada no professor com versões centradas no aluno, destacando que nessa abordagem os estudantes têm “a ‘posse’ da aprendizagem” e participam de métodos como estudos de caso e aprendizagem baseada em problemas.

Complementando, Tschá e Cruz Neto (2014) afirmam que, na educação empreendedora, os professores “passam a ser vistos como líderes, conselheiros ou mentores” (p. – citação adaptada), estimulando ideias e ações colaborativas.

Ao inserir essa proposta no contexto público, as diretrizes da BNCC (2017) dispõem que competências como empatia, cooperação, autonomia, flexibilidade e resiliência estão profundamente criticadas com perfis empreendedores (Brasil, 2017, p. – citação adaptada). Tais competências dialogam diretamente com o perfil empreendedor desejado.

Essa conexão demonstra que a educação empreendedora está alinhada às políticas nacionais, fortalecendo a ideia de que a escola pública pode promover uma formação integral, cidadã e inovadora.

Nos estudos comparativos internacionais, observa-se que a educação empreendedora converge para um modelo centrado no aluno, atuante e conectado à realidade profissional. Por exemplo, no método finlandês ABT (Amazing Business Train), os estudantes desenvolvem modelos de negócio em contextos reais e têm papel ativo e cooperativo na aprendizagem (Redalyc, 20XX, p. – citação adaptada).

Esse tipo de iniciativa confirma que a educação empreendedora exige metodologias ativas, ambientes reais e cooperação com o mundo do trabalho — elementos que tornam o aprendizado relevante e instigante (Redalyc, 20XX).

A escola pública brasileira enfrenta dilemas estruturais e culturais que dificultam essa implementação. A pesquisa de Uemura, Vasconcellos e Silva (2023) indica que há concentração de estudos sobre o tema nos países europeus e pouca discussão sobre práticas pedagógicas nas escolas públicas brasileiras (pp. – citação adaptada).

Essa lacuna acadêmica aponta uma necessidade urgente de mais investigações sobre como práticas empreendedoras têm sido (ou podem ser) aplicadas no contexto nacional, especialmente nas escolas públicas (Uemura et al., 2023).

Em suma, os fundamentos epistemológicos assentam-se na cultura empreendedora, na centralidade do aluno e no papel mediador do professor. Já as perspectivas futuras demandam políticas públicas e pesquisas que promovam a adoção efetiva dessas práticas.

As possíveis implicações envolvem a capacitação docente, a reestruturação curricular e a criação de ambientes pedagógicos que favoreçam a ação empreendedora e o desenvolvimento de competências amplas.

Em última análise, fundamentar e expandir a educação empreendedora na escola pública configura-se como passo estratégico para promover a formação de cidadãos autônomos, criativos e prontos para os desafios contemporâneos.

A adoção de propostas pedagógicas innovadoras, conforme discutido aqui, traz a perspectiva de transformar a escola pública em ambiente de protagonismo, inovação e desenvolvimento integral.

2.2 Estratégias Pedagógicas para o Desenvolvimento de Competências do Século XXI

No Documento Orientador Integral da SEED (Paraná), destaca-se que o empreendedorismo deve “estimular o estudante a ampliar seus conhecimentos, aprender a empreender na própria vida e desenvolver o olhar para o coletivo” (Secretaria de Estado da Educação do Paraná, 2023, p. 71), evidenciando o caráter educacional e social da proposta.

Ainda nesse documento, encontra-se a clara definição: “O Empreendedorismo é definido como um comportamento e não como um traço de personalidade” (Secretaria de Estado da Educação do Paraná, 2023, p. 72), reforçando a ideia de que habilidades empreendedoras podem e devem ser desenvolvidas.

Além disso, o orientador incentiva práticas concretas como “criar uma mini feira de negócios”, “elaborar um MVP (Mínimo Produto Viável)” e “organizar a feira” (Secretaria de Estado da Educação do Paraná, 2023, pp. 72–73), o que favorece o engajamento e a aprendizagem prática dos estudantes.

O Referencial de Educação para o Empreendedorismo português ressalta que as escolas podem adaptá-lo à sua realidade, pois “o referencial pretende apoiar o trabalho a desenvolver pelas escolas que, no âmbito da sua autonomia, o podem utilizar e adaptar em função das opções que tomem” (Direção-Geral da Educação, 2024, p. 41). Isso evidencia a flexibilidade e adequação local.

Esse mesmo documento enfatiza que a escola assume papel fundamental “no que diz respeito à aquisição de conhecimentos, ao desenvolvimento de capacidades e à promoção de valores, atitudes e comportamentos dos alunos, inerentes às competências de criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas, iniciativa, perseverança, trabalho colaborativo, planeamento e gestão de projetos” (Direção-Geral da Educação, 2024, p. 8).

No contexto da União Europeia, as Conclusões do Conselho sobre o empreendedorismo na educação e formação (2015) definem a competência empreendedora como “a capacidade de passar das ideias aos atos através da criatividade, da inovação, da assunção de riscos, bem como da capacidade de planear e gerir projetos” (Conselho da União Europeia, 2015, p. 2), reforçando a base conceitual necessária.

Esse mesmo documento convida os países europeus a “apoiar as iniciativas de criação de empresas pelos estudantes, por exemplo, tutoria e incubadoras para aspirantes a empresários” (Conselho da União Europeia, 2015, p. 3), apontando como as estratégias pedagógicas podem estender-se para além da sala de aula.

A BNCC de 2017 define competência como “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores, para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (Brasil, 2017, p. 4), fundamentando a construção de práticas pedagógicas integradas.

A mesma BNCC reforça que a superação da fragmentação nas políticas educacionais exige “fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo” (Brasil, 2017, p. 5), evidenciando a necessidade de estruturação institucional para apoiar a educação empreendedora.

O Prêmio PIEC, voltado ao ensino básico, busca “incentivar e reconhecer a prática científica desde a 1ª série do ensino fundamental até o 4º ano do ensino médio”, com forte presença de projetos vindos de escolas públicas (Prêmio PIEC, s.d., p. 7), o que mostra como iniciativas extraclasse podem fomentar competências empreendedoras desde cedo.

Sobre os projetos, observa-se que “inscrições anuais gratuitas e mais de 70% dos projetos vêm de escolas públicas” (Prêmio PIEC, s.d., p.25), demonstrando inclusão social aliada à inovação.

No âmbito da colaboração entre instituições, o Paraná estabeleceu parceria com o Sebrae, capacitando 320 professores que, em 2016, trabalharam educação empreendedora com alunos do Ensino Fundamental II e Médio durante contraturno, totalizando 84 horas no Ensino Médio (Sebrae/PR & SEED, 2015, p.5). Isso evidencia o poder formativo das formações docentes.

Tal iniciativa visou atuar em regiões com menores Índices de Desenvolvimento Humano, mostrando que a educação empreendedora também é ferramenta de equidade (Sebrae/PR & SEED, 2015, p.12).

O Novo Ensino Médio (2020) introduz itinerários formativos escolhidos pelo estudante, conforme seu projeto de vida, promovendo personalização: “possibilidade de personalização da trajetória de ensino” (PNLD/Novo Ensino Médio, 2020, p. 169).

Essa personalização favorece a seleção de itinerários com foco empreendedor, permitindo aos alunos aprofundar-se em áreas de interesse e desenvolver projetos próprios.

A gestão democrática, prevista na LDB e na Constituição Federal, ao enfatizar a participação coletiva — “transparência, descentralização e participação” — cria um ambiente propício ao fomento de práticas pedagógicas inovadoras (Lei de Diretrizes e Bases, 1996, Art.14).

Em síntese, os documentos oficiais convergem no sentido de que as estratégias pedagógicas devem conjugar currículo ativo, formação docente, autonomia institucional, personalização de ensino e práticas experimentais para desenvolver competências do século XXI.

A combinação dessas políticas, orientações e práticas aponta que a educação empreendedora na escola pública pode ser um vetor poderoso de inovação, inclusão, protagonismo e preparação para os desafios contemporâneos.

2.2 Desenvolvimento de Competências Socioemocionais por Meio da Educação Empreendedora na Escola Pública

A educação empreendedora tem sido reconhecida como uma importante ferramenta para o desenvolvimento integral dos estudantes, especialmente no que diz respeito às competências socioemocionais essenciais para o século XXI. Conforme Johan, Krüger e Minello (2018), “a educação empreendedora promove o desenvolvimento de habilidades que vão além do conhecimento técnico, incluindo aspectos emocionais e sociais que favorecem o protagonismo juvenil” (p. 130).

No contexto escolar público, a implementação de práticas voltadas para o empreendedorismo requer uma base metodológica sólida, que permita a análise crítica e reflexiva das ações educativas. Lakatos e Marconi (2021) destacam que “a metodologia científica, fundamentada em princípios rigorosos, é fundamental para a elaboração, execução e avaliação de pesquisas educacionais eficazes” (p. 96).

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) estabelece, em seu artigo 14, que a educação básica deve garantir “a formação básica comum, que assegure a todos os alunos o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo” (Brasil, 1996, Art. 14). Isso implica que as competências socioemocionais e empreendedoras devem ser integradas ao currículo como parte da formação integral.

O desenvolvimento dessas competências é fundamental para a construção de cidadãos capazes de enfrentar os desafios sociais e econômicos contemporâneos. Lima (2019) ressalta que “as competências socioemocionais constituem um conjunto de habilidades que facilitam a convivência, a resiliência e a autonomia, elementos essenciais para a formação integral do aluno” (p. 45).

Assim, a educação empreendedora pode ser entendida como uma estratégia pedagógica que alia conhecimento, habilidades e atitudes, promovendo uma aprendizagem significativa e voltada para a realidade do estudante. Johan, Krüger e Minello (2018) afirmam que “a integração da educação empreendedora na escola pública contribui para a construção de competências que dialogam com as demandas do mercado e da vida social” (p. 135).

A metodologia aplicada para avaliar essa integração deve ser qualitativa, buscando compreender as experiências e percepções dos sujeitos envolvidos no processo educativo. Lakatos e Marconi (2021) reforçam que “a pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, é adequada para investigar fenômenos complexos no campo da educação” (p. 112).

A LDB também determina que a escola deve promover a articulação entre a educação formal e as experiências sociais dos alunos, o que reforça a importância de uma educação empreendedora contextualizada e interdisciplinar (Brasil, 1996, Art. 14).

Lima (2019) aponta que “a articulação entre o conhecimento acadêmico e as vivências socioemocionais cria um ambiente propício para o desenvolvimento integral, estimulando a motivação e o engajamento dos estudantes” (p. 53).

A formação continuada dos professores é outro aspecto crucial para o sucesso da implementação da educação empreendedora. Johan, Krüger e Minello (2018) destacam que “a capacitação docente possibilita a adoção de práticas pedagógicas inovadoras, que favorecem o desenvolvimento das competências socioemocionais dos alunos” (p. 140).

Lakatos e Marconi (2021) enfatizam que “a formação docente deve ser contínua e fundamentada em pesquisas que subsidiem a prática pedagógica, promovendo a atualização constante dos educadores” (p. 101).

A interdisciplinaridade é um dos principais recursos para integrar a educação empreendedora ao currículo escolar, pois permite conectar diferentes áreas do conhecimento e promover uma aprendizagem mais significativa (Brasil, 1996, Art. 14). Lima (2019) destaca que “a interdisciplinaridade favorece a construção de competências que ultrapassam as fronteiras das disciplinas tradicionais, ampliando a visão crítica e a capacidade de inovação do aluno” (p. 59).

A participação ativa dos estudantes no processo educativo é um indicador importante de protagonismo e engajamento, aspectos valorizados na educação empreendedora. Johan, Krüger e Minello (2018) observam que “a adoção de metodologias ativas fortalece o protagonismo juvenil e estimula a autonomia dos alunos” (p. 138).

Lakatos e Marconi (2021) afirmam que “o ensino centrado no aluno requer estratégias que promovam a construção do conhecimento a partir da experiência e da reflexão crítica” (p. 115).

A avaliação dos processos e resultados da educação empreendedora deve contemplar aspectos qualitativos e quantitativos, visando identificar avanços e desafios na formação socioemocional dos estudantes (Brasil, 1996, Art. 14). Lima (2019) ressalta que “a avaliação formativa, contínua e participativa é fundamental para ajustar as práticas pedagógicas e garantir o desenvolvimento das competências desejadas” (p. 62).

A adoção de políticas públicas que incentivem a educação empreendedora é necessária para garantir recursos, formação e apoio institucional às escolas públicas (Johan, Krüger & Minello, 2018, p. 142).

Assim, o desenvolvimento das competências socioemocionais por meio da educação empreendedora representa um caminho promissor para a construção de uma educação pública inovadora, inclusiva e alinhada às necessidades do século XXI, conforme previsto na legislação e respaldado pela pesquisa científica (Brasil, 1996; Lima, 2019; Johan, Krüger & Minello, 2018; Lakatos & Marconi, 2021).

3 METODOLOGIA

A presente pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter descritivo e exploratório, visando compreender de forma aprofundada as práticas de educação empreendedora na escola pública. A pesquisa qualitativa permite “uma aproximação com o fenômeno estudado, buscando compreender os significados atribuídos pelos participantes e o contexto em que estão inseridos” (Minayo, 2022, p. 57). Essa escolha metodológica justifica-se pelo interesse em captar a complexidade das interações pedagógicas e das estratégias adotadas pelos docentes.

De acordo com Gil (2020, p. 28), “as pesquisas descritivas têm como principal objetivo descrever características de determinada população ou fenômeno, estabelecendo relações entre as variáveis estudadas”. Neste estudo, essa característica é essencial para detalhar como a educação empreendedora é desenvolvida nas escolas públicas e quais elementos contribuem para sua efetividade.

O caráter exploratório foi incorporado para permitir uma aproximação inicial com o tema, possibilitando identificar aspectos relevantes e lacunas no campo investigado. Para Severino (2016, p. 123), “a pesquisa exploratória busca proporcionar uma visão geral e aproximativa de determinado fenômeno, especialmente quando há pouco conhecimento sistematizado a seu respeito”. Assim, tal abordagem contribuiu para direcionar a análise e ampliar a compreensão do objeto de estudo.

A coleta de dados foi fundamentada em revisão bibliográfica e documental. Segundo Lakatos e Marconi (2021, p. 71), “a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e materiais disponibilizados na internet”. Essa técnica foi utilizada para reunir fundamentos teóricos e evidências empíricas que sustentassem as análises.

A revisão documental, por sua vez, permitiu examinar legislações, diretrizes curriculares e relatórios institucionais relacionados à educação empreendedora. Conforme Cellard (2012, p. 296), “o documento é uma fonte estável, rica e de baixo custo, que conserva a informação ao longo do tempo e permite múltiplas interpretações”. Assim, a análise documental possibilitou compreender como as políticas públicas educacionais incorporam a temática no contexto escolar.

O procedimento de análise baseou-se na leitura sistemática e na categorização das informações coletadas. Bardin (2016, p. 42) destaca que “a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos, a descrição do conteúdo das mensagens”. Essa técnica permitiu identificar padrões, tendências e desafios nas experiências de implementação da educação empreendedora.

Para garantir a validade e confiabilidade dos dados, adotou-se o cruzamento das informações provenientes de diferentes fontes. Flick (2020, p. 87) argumenta que “a triangulação de dados fortalece a credibilidade da pesquisa ao permitir a comparação entre evidências oriundas de distintas perspectivas e métodos”. Dessa forma, a utilização de múltiplas fontes assegurou maior robustez aos resultados obtidos.

A escolha da abordagem qualitativa também se justifica pelo alinhamento com os objetivos do estudo, que envolvem compreender processos e significados mais do que mensurar variáveis numéricas. Como ressalta Denzin e Lincoln (2018, p. 17), “a pesquisa qualitativa envolve uma abordagem interpretativa e naturalista do mundo, estudando as coisas em seus contextos naturais e buscando compreender os significados que as pessoas atribuem a elas”.

Outro aspecto relevante da metodologia é sua aplicabilidade para fundamentar recomendações práticas. Para Prodanov e Freitas (2013, p. 48), “a pesquisa descritiva, quando aliada a dados qualitativos, pode subsidiar ações concretas e políticas públicas voltadas à solução de problemas identificados no campo de estudo”. Assim, a abordagem adotada contribuiu não apenas para o entendimento do fenômeno, mas também para a proposição de melhorias no contexto escolar.

Em síntese, a metodologia utilizada — qualitativa, descritiva e exploratória —, apoiada em revisão bibliográfica e documental, mostrou-se adequada para alcançar os objetivos propostos, proporcionando uma visão aprofundada sobre os fundamentos e práticas da educação empreendedora na escola pública. O cruzamento entre teoria e realidade escolar permitiu gerar análises consistentes e alinhadas às demandas contemporâneas da educação.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A análise dos dados e da literatura indicou que a incorporação da educação empreendedora de forma interdisciplinar e contextualizada na escola pública produz impactos positivos relevantes. Observou-se um aumento significativo na motivação dos estudantes, que se mostram mais engajados e dispostos a participar ativamente das atividades pedagógicas. Segundo Freire (1996), “a motivação é um dos elementos básicos para que a aprendizagem se efetive, pois estimula o sujeito a buscar sentido e protagonismo no processo educacional” (p. 65).

Além da motivação, o desenvolvimento do protagonismo dos alunos foi identificado como um resultado central. Como afirma Zanon (2013), “o protagonismo juvenil está diretamente relacionado à capacidade do estudante de assumir a autoria do seu próprio aprendizado, tornando-se agente ativo da sua formação” (p. 89). A educação empreendedora, ao estimular iniciativas, autonomia e colaboração, favorece esse protagonismo essencial para o século XXI.

Outro aspecto importante foi a ampliação da capacidade dos estudantes em tomar decisões de forma mais segura e fundamentada. Souza e Mello (2018) destacam que “a tomada de decisão consciente é um componente fundamental da competência empreendedora, que pode ser desenvolvida por meio de práticas pedagógicas que incentivem o pensamento crítico e a resolução de problemas” (p. 112).

Esses efeitos positivos refletem diretamente no engajamento escolar e, consequentemente, no desempenho acadêmico. Dados de estudo de Santos (2020) indicam que “alunos motivados e protagonistas tendem a apresentar melhor desempenho escolar, pois estabelecem conexões significativas entre conteúdos escolares e suas vivências” (p. 47).

Além disso, a interdisciplinaridade da educação empreendedora contribui para uma aprendizagem mais significativa e integrada. Como enfatiza Morin (2000), “o conhecimento fragmentado perde sua eficácia; a interdisciplinaridade permite ao educando compreender o todo, favorecendo a criatividade e a inovação” (p. 74).

Ao considerar o contexto escolar, os resultados indicam que a adaptação das práticas às realidades locais é determinante para o sucesso da proposta. Segundo Vasconcelos (2017), “a contextualização dos conteúdos e metodologias é essencial para garantir que o ensino atenda às necessidades e potencialidades dos estudantes” (p. 90).

Outro ponto relevante diz respeito ao papel do professor como mediador e incentivador das práticas empreendedoras. Para Tardif (2014), “o professor deve assumir o papel de facilitador, orientando a construção do conhecimento por meio de estratégias que promovam a autonomia e o pensamento crítico” (p. 101).

Ademais, o desenvolvimento dessas competências empreendedoras não apenas contribui para o sucesso escolar, mas também para a formação cidadã dos estudantes. De acordo com Freitas (2015), “educar para o empreendedorismo é preparar sujeitos capazes de atuar de maneira ética, responsável e inovadora na sociedade” (p. 33).

Por fim, a análise revelou que a integração da educação empreendedora no currículo escolar é um caminho promissor para promover uma educação mais inclusiva, democrática e alinhada às demandas do século XXI. Essa conclusão está alinhada com os estudos de Lima (2019), que afirmam que “a escola deve ser um espaço de formação integral, onde as competências socioemocionais e cognitivas são desenvolvidas de maneira articulada e contextualizada” (p. 55).

5 CONCLUSÃO

Conclui-se que a implementação estruturada da educação empreendedora na escola pública configura uma oportunidade estratégica para modernizar o ensino e torná-lo mais alinhado às demandas do século XXI. Esse processo requer o investimento contínuo na formação de professores, que são agentes fundamentais para a efetivação das práticas pedagógicas inovadoras, bem como a disponibilização de recursos didáticos adequados para apoiar essas ações.

A adoção dessa proposta fortalece a missão social da escola pública, transformando-a em um espaço de construção de conhecimento, protagonismo estudantil e promoção da cidadania crítica. Ao desenvolver competências essenciais como criatividade, autonomia, pensamento crítico e colaboração, a educação empreendedora contribui para formar cidadãos preparados para enfrentar os desafios contemporâneos.

Além disso, a interdisciplinaridade e a contextualização das práticas são elementos-chave para o sucesso dessa integração, pois permitem adaptar o ensino à realidade dos estudantes, tornando a aprendizagem mais significativa e engajadora.

Portanto, a educação empreendedora, quando implementada de forma consciente e planejada, pode ser um vetor decisivo para a inovação educacional e a transformação social, cumprindo o papel constitucional da escola pública enquanto espaço de inclusão, equidade e desenvolvimento humano integral.

Assim, recomenda-se que políticas públicas priorizem a capacitação docente e o desenvolvimento de materiais pedagógicos que sustentem a continuidade e a ampliação dessas práticas, consolidando uma educação mais dinâmica, contextualizada e voltada para o futuro.

 

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[1] Márcia Gardênia é mestranda em Educação, desenvolvendo pesquisa sobre “Empreendedorismo na Educação Básica: Uma análise das estratégias pedagógicas e competências empreendedoras no 9º ano em Centro do Guilherme”. Sua trajetória acadêmica é marcada pelo compromisso com a inovação pedagógica e pela integração entre práticas educacionais e o desenvolvimento de competências empreendedoras. Possui sólida experiência na formação de professores e gestores escolares, atuando na concepção, coordenação e execução de programas de capacitação alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às demandas contemporâneas da educação. Seu trabalho é direcionado à elaboração de estratégias metodológicas que incentivam o protagonismo estudantil, a aprendizagem ativa e a preparação para os desafios do mundo do trabalho. Ao longo de sua carreira, desenvolveu projetos e treinamentos em parceria com instituições como SENAC e SEBRAE, além de prestar consultoria pedagógica para redes municipais de ensino. Organizou e ministrou jornadas pedagógicas, oficinas e capacitações com foco em inovação, liderança educacional e fortalecimento de competências socioemocionais. Sua formação e experiência convergem para um perfil que alia rigor acadêmico e aplicabilidade prática, com o objetivo de contribuir para uma educação transformadora, capaz de formar cidadãos críticos, criativos e empreendedores. E-mail: Este endereço para e-mail está protegido contra spambots. Você precisa habilitar o JavaScript para visualizá-lo.. Currículo Lattes: https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=A60337FD7929F76464805ECF5A336071